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Mídias Sociais na produção rural de pequena escala: Usos, Impactos e Potencialidades

  • Foto do escritor: Mateus da Mata Melo
    Mateus da Mata Melo
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

As mídias sociais estão promovendo mudanças nos modos de produção, comercialização e organização social. Plataformas como WhatsApp, Instagram e Facebook deixaram de ser apenas espaços de entretenimento para se consolidarem como canais estratégicos de comunicação, divulgação e venda.

Sabe-se que essa transformação digital não acontece da mesma forma em todo lugar. Em visitas realizadas a pequenos produtores rurais no município de Ingaí (MG), observou-se que muitos deles possuíam contas nessas plataformas, mas o uso ainda permanece bastante restrito ao entretenimento. Essa realidade despertou uma inquietação no pesquisador Mateus da Mata Melo, doutorando em Administração pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e integrante do Projeto Semear Digital (https://www.semear-digital.cnptia.embrapa.br/): afinal, o que separa o uso das mídias sociais para lazer do uso para o desenvolvimento rural?

A partir dessa pergunta, Mateus conduziu uma pesquisa que apresenta apontamentos relevantes e revela caminhos práticos para o uso estratégico das mídias digitais no contexto da agricultura familiar e de pequena escala.

 

O QUE REVELA A PESQUISA

 

A partir de uma revisão integrativa da literatura, o estudo investigou como pequenos agricultores têm utilizado mídias sociais em suas atividades produtivas e comerciais. Entre os principais achados, destacam-se:

 

1. WhatsApp e Facebook como ferramentas estratégicas

Longe de serem apenas plataformas de comunicação, ambas têm sido empregadas para aprendizado técnico, marketing direto e criação de redes de apoio entre produtores, técnicos e consumidores.

 

2. Empoderamento socioeconômico

O estudo mostra que as mídias sociais contribuem para aumentar a autonomia comercial, melhorar a logística, aproximar o produtor do mercado final e reduzir o isolamento histórico do meio rural.

 

3. Persistência de desafios estruturais

Apesar dos benefícios, a plena inclusão digital ainda é limitada por:

• Falta de conectividade em áreas rurais

• Escassez de infraestrutura tecnológica

• Ausência de políticas de capacitação digital

 

 

PROPOSIÇÕES PARA O USO DAS MÍDIAS SOCIAIS PELOS PRODUTORES

 

Com base nos achados, o pesquisador elaborou sugestões de usos de mídias sociais que podem orientar agricultores a aplicar essas ferramentas em suas estratégias.

 

Qual plataforma usar? Para quê?

 

A tabela abaixo apresenta possibilidades de uso para quatro principais mídias sociais, resume as funcionalidades e impactos esperados de cada mídia:


 

WhatsApp:

O WhatsApp pode ser utilizado no atendimento direto ao cliente, na criação de grupos de assistência técnica (extensão rural digital) e na efetivação de vendas. Por ser uma ferramenta de comunicação síncrona, permite que o produtor resolva problemas em tempo real, como tirar dúvidas de compradores ou receber diagnósticos rápidos de profissionais como agrônomos e veterinários através de fotos e vídeos.

 

Facebook:

O Facebook atua como uma vitrine pública e comunitária. Pode-se usar páginas e o Marketplace para expor o catálogo de produtos a uma audiência local e regional mais ampla. Ele funciona como uma ponte entre o campo e a cidade, permitindo que o produtor participe de grupos de vendas da sua região, ganhando uma visibilidade que, antes das mídias sociais, dependeria exclusivamente de feiras físicas ou intermediários.

 

YouTube:

A proposição de uso do YouTube é estritamente educacional e de capacitação. Ele serve como uma biblioteca de tutoriais agrícolas onde o produtor encontraconhecimentos específicos sobre manejo de solo, controle de pragas, novas tecnologias, maquinários, entre outros assuntos. É uma plataforma que democratiza o acesso ao saber técnico, permitindo que o agricultor aprenda novas técnicas, no seu próprio ritmo, podendo impactardiretamente a eficiência da produção.

 

Instagram:

O Instagram é focado na promoção visual e no storytelling (contar histórias). A proposição principal é humanizar a produção, mostrando a beleza dos produtos colhidos e o dia a dia da vida rural. Ao postar imagens de alta qualidade e os bastidores do cultivo, o produtor cria uma conexão emocional com o consumidor, que passa a valorizar não apenas o alimento, mas a marca e o esforço por trás da agricultura familiar.

 

 

CONCLUSÃO

A pesquisa evidencia que as mídias sociais não são apenas ferramentas de entretenimento, são infraestruturas socioeconômicas capazes de fortalecer a agricultura familiar. Ao romper barreiras históricas de isolamento, essas ferramentas ampliam as fronteiras de comercialização e diálogo.

Nesse contexto, o Projeto Semear Digital cumpre um papel estratégico: ao promover o letramento digital, ele apoia e empodera comunidades rurais para protagonizarem um novo ciclo de inovação, autonomia e sustentabilidade no campo.

 

REFERÊNCIAS

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Os conteúdos dos textos publicados neste blog refletem exclusivamente a opinião dos autores e não representam, necessariamente, as opiniões do Centro de Estudos em Mercado e Tecnologias no Agronegócio da Universidade Federal de Lavras (AGRITECH UFLA), da Universidade Federal de Lavras (UFLA) ou das agências de fomento que financiam as pesquisas do AGRITECH UFLA.

Departamento de Administração e Economia

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