Mídias Sociais na produção rural de pequena escala: Usos, Impactos e Potencialidades
- Mateus da Mata Melo

- há 6 dias
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As mídias sociais estão promovendo mudanças nos modos de produção, comercialização e organização social. Plataformas como WhatsApp, Instagram e Facebook deixaram de ser apenas espaços de entretenimento para se consolidarem como canais estratégicos de comunicação, divulgação e venda.
Sabe-se que essa transformação digital não acontece da mesma forma em todo lugar. Em visitas realizadas a pequenos produtores rurais no município de Ingaí (MG), observou-se que muitos deles possuíam contas nessas plataformas, mas o uso ainda permanece bastante restrito ao entretenimento. Essa realidade despertou uma inquietação no pesquisador Mateus da Mata Melo, doutorando em Administração pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e integrante do Projeto Semear Digital (https://www.semear-digital.cnptia.embrapa.br/): afinal, o que separa o uso das mídias sociais para lazer do uso para o desenvolvimento rural?
A partir dessa pergunta, Mateus conduziu uma pesquisa que apresenta apontamentos relevantes e revela caminhos práticos para o uso estratégico das mídias digitais no contexto da agricultura familiar e de pequena escala.
O QUE REVELA A PESQUISA
A partir de uma revisão integrativa da literatura, o estudo investigou como pequenos agricultores têm utilizado mídias sociais em suas atividades produtivas e comerciais. Entre os principais achados, destacam-se:
1. WhatsApp e Facebook como ferramentas estratégicas
Longe de serem apenas plataformas de comunicação, ambas têm sido empregadas para aprendizado técnico, marketing direto e criação de redes de apoio entre produtores, técnicos e consumidores.
2. Empoderamento socioeconômico
O estudo mostra que as mídias sociais contribuem para aumentar a autonomia comercial, melhorar a logística, aproximar o produtor do mercado final e reduzir o isolamento histórico do meio rural.
3. Persistência de desafios estruturais
Apesar dos benefícios, a plena inclusão digital ainda é limitada por:
• Falta de conectividade em áreas rurais
• Escassez de infraestrutura tecnológica
• Ausência de políticas de capacitação digital
PROPOSIÇÕES PARA O USO DAS MÍDIAS SOCIAIS PELOS PRODUTORES
Com base nos achados, o pesquisador elaborou sugestões de usos de mídias sociais que podem orientar agricultores a aplicar essas ferramentas em suas estratégias.
• Qual plataforma usar? Para quê?
A tabela abaixo apresenta possibilidades de uso para quatro principais mídias sociais, resume as funcionalidades e impactos esperados de cada mídia:

WhatsApp:
O WhatsApp pode ser utilizado no atendimento direto ao cliente, na criação de grupos de assistência técnica (extensão rural digital) e na efetivação de vendas. Por ser uma ferramenta de comunicação síncrona, permite que o produtor resolva problemas em tempo real, como tirar dúvidas de compradores ou receber diagnósticos rápidos de profissionais como agrônomos e veterinários através de fotos e vídeos.
Facebook:
O Facebook atua como uma vitrine pública e comunitária. Pode-se usar páginas e o Marketplace para expor o catálogo de produtos a uma audiência local e regional mais ampla. Ele funciona como uma ponte entre o campo e a cidade, permitindo que o produtor participe de grupos de vendas da sua região, ganhando uma visibilidade que, antes das mídias sociais, dependeria exclusivamente de feiras físicas ou intermediários.
YouTube:
A proposição de uso do YouTube é estritamente educacional e de capacitação. Ele serve como uma biblioteca de tutoriais agrícolas onde o produtor encontraconhecimentos específicos sobre manejo de solo, controle de pragas, novas tecnologias, maquinários, entre outros assuntos. É uma plataforma que democratiza o acesso ao saber técnico, permitindo que o agricultor aprenda novas técnicas, no seu próprio ritmo, podendo impactardiretamente a eficiência da produção.
Instagram:
O Instagram é focado na promoção visual e no storytelling (contar histórias). A proposição principal é humanizar a produção, mostrando a beleza dos produtos colhidos e o dia a dia da vida rural. Ao postar imagens de alta qualidade e os bastidores do cultivo, o produtor cria uma conexão emocional com o consumidor, que passa a valorizar não apenas o alimento, mas a marca e o esforço por trás da agricultura familiar.
CONCLUSÃO
A pesquisa evidencia que as mídias sociais não são apenas ferramentas de entretenimento, são infraestruturas socioeconômicas capazes de fortalecer a agricultura familiar. Ao romper barreiras históricas de isolamento, essas ferramentas ampliam as fronteiras de comercialização e diálogo.
Nesse contexto, o Projeto Semear Digital cumpre um papel estratégico: ao promover o letramento digital, ele apoia e empodera comunidades rurais para protagonizarem um novo ciclo de inovação, autonomia e sustentabilidade no campo.
REFERÊNCIAS
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