top of page

Panorama da pecuária leiteira a partir das ações do Projeto Semear Digital em 2025

  • Foto do escritor: Athila Leandro de Oliveira
    Athila Leandro de Oliveira
  • 16 de jan.
  • 4 min de leitura

Com o objetivo de compreender a realidade, os desafios e o potencial da produção de leite no Sul de Minas, o Projeto Semear Digital vem realizando ações por meio de visitas a produtores rurais do município de Ingaí (MG). O município integra a iniciativa como um dos dez Distritos Agrotecnológicos (DATs) do projeto e é o único representante do estado de Minas Gerais.

A pesquisa é conduzida por uma equipe multidisciplinarcomposta por pesquisadores do AgritechUFLA, e conta com um eixo dedicado aos estudos de impactos socioeconômicos, no qual os pesquisadores Caroline Paiva (bolsista FAPESP de pós-doutorado) e Mateus Melo (bolsista FAPESP de doutorado) buscam traçar um panorama da atividade leiteira, a partir da escuta direta dos produtores, identificando as características da bacia leiteira local e suas oportunidades de crescimento.

O Projeto Semear Digital visa superar as desigualdades no campo por meio de tecnologias digitais, focando no aumento da produção e da produtividade de pequenos e médios produtores. A iniciativa é financiada pela FAPESP e fruto de um esforço institucional conjunto entre Embrapa, CPQD, IAC, IEA, Inatel, Esalq e UFLA(conheça mais em: https://www.semear-digital.cnptia.embrapa.br).

Diagnóstico das propriedades leiteiras

A equipe do Projeto Semear Digital está realizando visitas técnicas a produtores de leite do município de Ingaí com o objetivo de compreender, de forma aprofundada, o funcionamento dos sistemas produtivos locais. Esse levantamento permite entender como a atividade leiteira contribui para a renda das famílias rurais e para a economia do município.

A metodologia adotada envolve entrevistas em profundidade com os produtores, aliadas à observação direta das estruturas físicas e das rotinas das propriedades, permitindo a coleta de informações qualitativas e a construção de um diagnóstico detalhado da produção leiteira no município.

Segundo a pesquisadora Caroline Paiva, a realização desse trabalho de campo só foi possível graças a um esforço articulado entre diferentes instituições:

“O Semear Digital trabalha para que a tecnologia seja uma ferramenta de inclusão produtiva e de fortalecimento da pecuária leiteira no território. A realização das entrevistas só foi possível graças a um trabalho em rede. O apoio da Emater local, o acompanhamento técnico da equipe da Embrapa Gado de Leite e a atuação integrada dos pesquisadores do AgritechUFLA e UFLA Leite, foram fundamentais para o acesso às propriedades e para a construção de uma relação de confiança com os produtores. Esse tipo de parceria é essencial para que a pesquisa esteja, de fato, conectada à realidade do território.”

Como destaca o pesquisador Mateus Melo, essa abordagem tem sido de extrema importância para o projeto:

“As visitas a campo e as entrevistas em profundidade são fundamentais para compreendermos a realidade dos produtores de leite para além dos dados quantitativos. Estar presente nas propriedades, ouvir diretamente os produtores e observar suas rotinas produtivas nos permite entender os desafios, as estratégias adotadas e o contexto em que as decisões são tomadas. Essa metodologia aproxima a pesquisa da realidade vivida no campo e contribui para a construção de diagnósticos mais precisos e alinhados às necessidades locais.”


Foto: Mateus Melo realizando a entrevista com um dos produtores, Sr Edson.
Foto: Mateus Melo realizando a entrevista com um dos produtores, Sr Edson.

Uma visão geral da Produção Local

Até o momento, foram realizadas trinta entrevistas em profundidade com produtores de leite, o que possibilitou a construção de um panorama da realidade produtiva local. As informações coletadas permitiram identificar características comuns entre as propriedades, bem como especificidades relacionadas aos sistemas de produção, aos desafios enfrentados pelos produtores e às estratégias adotadas no manejo da atividade leiteira. A seguir, apresentamos uma síntese dos principais aspectos observados a partir dessas entrevistas.

As visitas revelaram um ecossistema produtivo diversificado, com operações que variam em escala, estrutura e tecnologia, como demonstram os dados a seguir:

Escala de Produção: a produção diária variou de 65 litros a 1.350 litros.

Tamanho das Propriedades: variam de 3 hectares a 100 hectares.

Tamanho dos Rebanhos: de 8 cabeças a 110 cabeças.

Os números apontam para a coexistência de propriedades familiares e produtores mais estruturados, revelando a diversidade da bacia leiteira local, bem como a dedicação dos produtores e as oportunidades de desenvolvimento da atividade na região.

O Pilar da Evolução: Assistência Técnica

Independentemente do tamanho da propriedade ou do volume de produção, um tema central observado foi a presença ou a busca ativa por assistência técnica. Esse suporte profissional se mostrou um fator determinante para a evolução, a eficiência e a sustentabilidade das atividades. Em contrapartida, as poucas propriedades que não contam com este apoio demonstram um potencial de crescimento ainda a ser explorado. As fontes de orientação são variadas e complementares:

Órgãos Públicos: como Emater, SENAR, SEBRAE(através de programas como ATeG, ALI Rural e Balde Cheio).




Foto: Caroline Paiva e Athila Oliveira em uma reunião com Glaucya Vale, Analista Técnica do Sebrae. Em busca de parcerias e mais oportunidades do ALI Rural, programa do Sebrae que leva inovação e tecnologia para pequenas propriedades rurais, para Ingaí - MG.


Cooperativas e Laticínios: inclui o suporte técnico oferecido por laticínios da região.

Profissionais Particulares: englobando o trabalho de veterinários e extensionistas da região.

Fortalecendo a Pecuária Leiteira do Futuro

Este projeto tem descoberto uma bacia leiteira diversificada, resiliente e com um grande potencial de desenvolvimento. O contato direto com os produtores permitiu uma visão clara de suas necessidades e de sua dedicação à atividade. O apoio a esses produtores não é apenas um investimento em suas propriedades, mas o alicerce para o fortalecimento da economia regional e a garantia de um futuro próspero para toda a bacia leiteira.

Os dados coletados por meio das entrevistas e visitas técnicas estão sendo sistematizados e analisados pela equipe do projeto com o objetivo de subsidiar a definição de estratégias voltadas aos produtores locais. A partir desse diagnóstico, busca-se propor ações e recomendações alinhadas à realidade produtiva identificada, contribuindo para o desenvolvimento da atividade leiteira e para a melhoria das condições técnicas e econômicas das propriedades. Ao transformar informação em estratégia, o projeto busca contribuir para uma pecuária leiteira mais eficiente, sustentável e alinhada às demandas do futuro, fortalecendo não apenas as propriedades, mas toda a economia local.





Comentários


Os conteúdos dos textos publicados neste blog refletem exclusivamente a opinião dos autores e não representam, necessariamente, as opiniões do Centro de Estudos em Mercado e Tecnologias no Agronegócio da Universidade Federal de Lavras (AGRITECH UFLA), da Universidade Federal de Lavras (UFLA) ou das agências de fomento que financiam as pesquisas do AGRITECH UFLA.

Departamento de Administração e Economia

Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Lavras

Trevo Rotatório Professor Edmir Sá Santos, s/n • Caixa Postal 3037 • CEP 37203-202 • Lavras/MG 
© 2023 por AGRITECH UFLA

  • Research Gate - Site_edited_edited_edited
  • AGRITECH UFLA
  • Branca Ícone Instagram
  • LinkedIn Clean
bottom of page